a little less so each time
Tuesday February 07th 2006, 9:57 pm
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Um dos meus maiores pecados capitais sempre foi a preguiça. Preguiça de começar, preguiça de fazer, preguiça de arrumar tudo quando terminar.
Em contrapartida, os pensamentos e as vontades súbitas têm certa obsessão em pularem dentro dos meus miolos, preferencialmente ao deitar a cabeça no travesseiro, e ficam, e pentelham, e atormentam até que o sono vence e eu perco toda a vontade das coisas pela manhã.
Até que então, chega janeiro. Acabam as férias e eu inicio a tão famigerada vida terceiranista (como diz senhor Iemis) e, de repente, todos os meus piores pesadelos tornam-se realidade; os estudos vêm à tona, as datas de entrega, as pressões e, como toda adolescente-sedentária-fumante, a taquicardia dá as mãos à falta de ar e lá vamos nós. Respirar fundo, planejar um horariozinho pros didáticos à tarde, dormir cedinho e descarregar as frustrações no chocolate.
Li um negócio um tanto interessante, sobre alguns dados pontuais da sua vida há determinados anos atrás, o agora e o dia seguinte. Daí me vem a cabeça que há 9 anos atrás, eu estava na primeira série e que há 9 anos atrás, eu estava aprimorando minha alfabetização e aprendendo contas “de mais” e “de menos”. Um tanto quanto nostálgico, eu diria. A questão é que eu nem comecei e já estou cansada. Aliás, a preguiça dá a sensação de cansaço antecipado, uma certa estagnação incrementada com bocados de medo e anciosidade. Mal começou meu ano letivo, mal começou minha vida (piegas, mas foda-se), mal começaram todas as coisas que eu sonhava ter quando, há 5 anos atrás, começavam meus primeiros vislumbres de noção do mundo.
Desde princípio de gente, já era preguiçosa. O problema é que agora é… Bem, agora é o maldito ano pro qual acreditei ter me preparado psicologicamente para agüentar. É agora, agora mesmo. Hum.
Talvez um pouco disso seja pelo meu próprio rabugismo. Ter acreditado durante todos os meus poucos anos de existência que tinha autonomia e falta de interesse o suficiente para evitar contatos e comparações supostamente desnecessárias com os outros. Agora, a comparação é inevitável e a autonomia dissolveu-se junto com a segurança de que sabia o que estava fazendo.
Entre outras palavras, agora, quem não estuda se fode. É. Quem não estuda, não se forma. Quem não se forma, não trabalha. Quem não trabalha, não ganha dinheiro. Quem não ganha dinheiro, não é feliz. OK. Tentando controlar o ceticismo, aqui.
Acho que vai demorar um tempo até eu me acostumar com a coisa toda de disciplina e comprometimento. Estaria mentindo se dissesse que não estou interessada em uma vida acadêmica, com o perdão do eufemismo, razoável. Mas… Por que agora-agora? Há 9 anos atrás, eu não tinha idéia nem mesmo do tamanho de um bairro; por que, 9 anos depois, devo saber o tamanho do mundo inteiro e saber como me posicionar nele? Escolher quem eu serei social e economicamente 5 anos depois de abrir os olhos pela primeira vez? Culpa da preguiça.
Queria mais dias devorando livros de meu próprio interesse.
Queria mais dias fazendo planos mirabolantes sobre viagens que jamais aconteceram.
Queria mais dias assistindo a filmes que me façam delirar em pensamentos.
Queria mais dias vendo os amigos, discutindo, dando risada.
Queria mais dias para estipular metas e alimentar ambições.
Queria mais dias no parque, abraçada.
Queria mais dias sem fazer nada, ansiando, extasiada, os dias em que teria que fazer muito.