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É fácil fazer uma lista do que se detesta. Mostra-se o desgosto e tudo fica mais simples ainda quando cada palavra revela-se um soco no estômago.
Situações, pessoas. O revirar dos olhos seguido por uma careta cética de desprezo demonstra que o instintivo é incontrolável. O automatismo das reações torna-se uma piada e, de súbito, aquele instante é nada além de um espasmo no diafragma.
Difícil é enumerar a indiferença, e esta é tão instintiva quanto.
Indefinível. E o prefixo de negação se repete, constantemente, porque adjetivos e advérbios não são suficientes para manisfestar tudo o que mente e coração gostariam. Melhor assim. Calemos. As palvras e as listas, nunca os instintos. Nunca os espasmos automáticos, incontroláveis, imprevisíveis.
A pretensão perdoada pela ingenuidade, o âmago inquieto livremente aceito pelas mais tesas abominações sociais. Porque detesto, não odeio. Tenho aversão, mas não desprezo. Interessante. Automático, como produção em série da nossa mais admirável industrialização. Porque tudo é volúvel e tudo é descartável e clamar amor por qualquer situacionismo nostálgico é simples demais, até para ser listado.
Chamemos abomináveis as convenções e critiquemos veementemente o chavão. Mesmo porque a moda é a contra-cultura, e se dizer antitético é muito mais intressante do que convencional. Mesmo quando as contradições estão paradoxalmente incluidas na regra e mesmo, ainda, quando as punições a quem não se adequa são as mais brutais e instintivamente encobertas.
Ora, julgar o mundo como uma única equação é tão pretencioso quanto detestável, tão detestável quanto ingênuo. Logo, automaticamente perdoado. Por favor, sejamos disseminados neste momento tão oportuno e abracemos esta ironia com a mais pura indiferença possível.
Docha. Não passemos da docha. Porque ter certeza requer mais do que apenas senso crítico. Requer argumentos, requer auto-afirmação o bastante para inundar ilhas e afundar continentes. Específicos. Sejamos o menos específicos possíveis e façamos das frases feitas, frases de efeito. Divaguemos. Muito. Imensuravelmente, até que as ilhas inundadas e continentes afundados explodam. A hipérbole é a nova metáfora.
E por que dar atenção ao detestável? E por que querer compreender ao invés de abominar? Por que respostas ao invés de perguntas? Por que especulações ao invés de ações?
Repito-me incessantemente. São incontroláveis os questionamentos e perduram as falsas soluções. A utopia não passa de escapismo e as motivações desaparecem quando mais precisamos delas. A persistência é fruto da inércia, porque tudo o que pára, cai.
Engolir o mundo como um remédio amargo, além de simplista, é desperdício. Bom-dia. Acordemos para tudo o que repudiamos e façamos da desgraça, um sorriso. Irônico, não otimista.
Gastemos palvras, e frases, e listas, numa verborragia incessante. Debates e divagações exercitam o híbrido do automatismo e do consciente, o que contraditoriamente poupa mais palavras, e frases, e listas.
Respeitemos. Compreendamos. Porque o subjuntivo na segunda pessoa do plural não serve apenas para folhetins de igreja. Mandemos aos infernos as besteiras irritantes dos detestáveis e façamos deles uma risada, mas sem desprezar sua importância.
Abracemos o trivial, o frívolo, o supérfluo e todos os outros dígrafos interessantes. Façamos as dores alvo de curiosidade e temas para discussão. Aproveitemos a lucidez e a abstração. Dualidade.
Quid pro quo. E aqui está a equação.