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Fodam-se todos vocês.
2006 foi um ano incrível e o xingamento foi apenas para acordar os leitores já, possivelmente, sumidos.
Sumida eu, eu sei.
Minhas tão famigeradas férias deram as caras apenas há umas duas semanas, por isso acredito que todos vocês me perdoaram desde já.
Logo de cara, viajei para a praia, para curar a rinite com a temperatura amena e a umidade do ar. Interessantíssimo. Apesar da aversão à areia/mar/calor/gente seminua, estar com os rapazes é tudo o que a alma precisa para não secar feito uva passa.
Depois, visitar papai e mamãe no interior. Bragança Transportes tem meu two thumbs up, gostaria de ressaltar.
Quando este humilde blog era apenas um espermatozóide, pensei em me esforçar para não torná-lo um blog-diário, com textos um pouquinho melhores do que os do antigo. Quando fecundado, teve cá e lá seus maus frutos. Mas quem não tem?
Seja este post não um mau-fruto, eu espero, mas um desses bem cotidianos, sem maiores pretensões. E que venha a Retrospectiva.
2006 foi um ano foda – e digo foda mesmo, porque certas coisas precisam de um palavrão para ter a entonação correta – porque foi um ano de muitas “primeiras vezes”. E apesar do foda, não vamos lá ser tão maliciosos.
Continuando…
Foi ano das primeiras (?) confabulações na varanda, do primeiros dos Grandes Jantares, do uso das expressões “ahhh, que biba”, “cocota” e seus derivados, “how podre” e “bigola”. Da minha primeira visita ao Mercadão, da execução do meu primeiro corte de cabelo. Da minha primeira festa à fantasia – minha infância foi um pouco esquisita, eu sei -, da primeira festa surpresa que eu organizei - idem . Da minha primeira Caça aos Sapos. Da primeira vez que sentei para conversar numa laje, da primeira vez que assisti a uma orquestra ao vivo, das minhas primeiras aulas de filosofia e história da arte, da primeira vez que votei e da primeira vez que fui a um sexshop. Foi o ano da minha formatura.
E também do meu primeiro Gathering X-Bloguiano, é claro.
Foi ano de ler razoavelmente bem. De ler: O quarto de Jacob e Contos da Virginia; Alice do senhor Carroll; a Mulher Desiludida da Simone; a vida da pobre Christiane F.; as anedotas despirocadas de Vergonha dos Pés da Fernanda; o quase surreal romance japonês Minha Querida Sputnik; as aparições “Clube da Luta” de A confissão de Lúcio. Ler sobre o cheiro de repolho de 1984; sobre os bebês fordianos de Admirável; sobre o charuto de maconha mexicano de On the road; sobre corridas de aviões de Misto-Quente; e, é claro, uma nota mais sensível e complacente à Baleia, que morreu sonhando com preás em Vidas Secas. Amém.
Musicalmente? É difícil lembrar, porque nunca sei em que ano ouvi o quê. Datas são coisas confusas, que devem ser registradas meticulosamente em cadernos de notas. Infelizmente, não anotei coisa alguma, então se contentem com o que me lembro: das baladinhas suntuosas da Fancie; da caipirice maravilhosa do Ryan Adams, da Marissa Nadler, do cd inteiro do Lilith Fair que comprei por uma bagatela na Paulista. De re-ouvir pra caramba Antony and the Johnsons; Ben Kweller; Cat Power; e The Cardigans – este, por causa do show. De conhecer Magic Numbers; Mew; Tegan and Sara; Emilie Simon. E de venerar os sempre emocionantes lançamentos da Ani DiFranco; da PJ; e da senhora Amos. Amém pra essas três e pra Björk, só porque ela também faz parte do time.
Agora os filmes! Sim, sim, algumas boas coisas se salvaram de uma safra um pouco insossa:
Os veadíssimos e emocionantíssimos Brokeback Mountain; Café da manhã em Plutão; Transamérica; e V de Vingança - porque quem não vê que este último é biba é bem cegüeta. De ver Sra. Henderson apresenta; Bubble; Paradise Now. Do ultrajante Menina Má.com – que ganhou o Oscar 2006 de Pior Nome De Filme Traduzido De Toda A História. Do cansativo Amantes Constantes; dos incrívelmente belos O ano em que meus pais saíram de férias e O labirinto do Fauno; do grande favorito em potencial Eu, você e todos nós; e, para concluir como só um gênio concluiria, Volver – que, por incrível que pareça, não entrou na categoria veado.
O que mais, o que mais…
Ah, sim. 2006 também foi o ano das consolidações.
Consolidação dos On the roads – SP; dos ensaios da banda de pop-rock-folk; das idas ao Parque; das baladinhas. Das grandes e terrivelmente apaixonadas amizades. De um otimismo que encontrei perdido por aí, escondido num canto – Fiquei toda biba-nostálgica pra falar dos caras que eu mais amo nesta vida, olha só? Dos que eu já conhecia a alguns anos, dos de longa data e dos que conheci este ano, mesmo. Foda, foda, foda. Todos vocês.
E creio que a Retrospectiva 2006 se dê por aqui. Depois de alguns-todos ítens com as datas misturadas, o que importa é dizer que eu voltei. Há!
Ainda na espera de saber o que vai ser de 2007 e agradecida do fundo do coração de ter tido um ano incrível, apesar de casca pra cacete. E eu já falei palavrões demais.
No próximo episódio, uma ficçãozinha, pra ser menos maçante pra vocês.
Despeço-me.
