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Sutil
E não é que não estivessem certos
grasnavam como bestas apenas
Correram os dias tronchos e frouxos
e a falta de senso que tanto perturbava
virou pouco mais que um nada-incômodo
estúpido mas não insípido
nem vazio nem amargo um pouco azedo
Apenas a sensatez é sem-sabor
O gosto no fundo da língua mesmo vago
era um quê que caminhava
arrastando seus pés burros
sobre descontentes papilas gustativas
numa exaustiva lentidão
Era nem raiva nem dor
mas capricho e quem sabe algum tédio
Sem uma pontada de alguma coisa
ou de coisa alguma para dizer a verdade
mentira eu diria se dissesse que queria
Sensatez nenhuma estava ali
Horas sem forma
nem senso ou razão
Era mais ser tola do que razoável
e agradar os sentidos se fazia necessário
Oras me flui ainda pelo corpo sangue
e se nenhuma gota deste chega ao cérebro
culpem as veias
Artérias em férias, desculpem.
É tudo bobagem e que se dane
se ninguém ouve apenas grita
e me irrita tudo o que se move
dessa euforia imunda grito eu surda
e se preferem sentido à divagações
enfiem inteiro o mundo na bunda.

Ainda sendo comida viva por formigas. Em breve, mais drama.
