pequenas tragédias
Sunday August 26th 2007, 3:29 am
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“By noon she has a cigarette lit in both hands
and gets confused trying to turn pages.
By two, she’s under the house with a handful of pills.
By three, she sings quiet songs to herself without words,
plays with piles of cigarette ashes on the kitchen table.

This could be me, she says.
This could be you.”
- Daphne Gottlieb

Partindo.
Esmigalhada.
Esfarelada.
Desfazendo eu mesma
em pedaços.
Eles me pegaram
e me moeram.
Dentro de mim
um buraco
tampado com pedra.
Puseram terra por cima
e riem.
Não sou mais
eu mesma.
Sou frangalhos.
Sou restos.
Sou vestígios de mim.
Amputada.
Aleijada.
Decrépita.
E decapitada.

Esmagaram os frutos
e tiraram todo o sumo.
Todo.
Estive pior e, é certo,
melhor.
Mas é ruim.
E dói.
Porque sem mim não sei
o que sou.
Nem o que faço.
E se não sei isso, não
vivo.
Nem existo.

Partindo,
porque me partiram. Daqui
e em pedaços.
Primeiro
foi a voz.
Depois os dedos.
Depois os pés.
Depois as mãos.
E os ouvidos – mantiveram
os olhos.
É que claro que ficaram os olhos.

Vai-se eu e meus
olhos ficam.
Vai-se
eu e o que sobrou.

Picada.
Torta.
Esgarçada.
E gasta.
Porque nem pra isso foram
gentis.
Não podem nem sabem
usar o peito – este
que também se foi.
E se usam é
maldade.
Deixaram de eu ser
eu.
Como jamais não tinha
sido antes.

Moeram.
Cozeram.
Trituraram
com os dentes.
Peito e maldade.
Porque sadismo vem
daí. Tanto quanto
amor.
Não sei mais
porquê.
Nem porque
não. Porque
não sei mais ser
eu.
Nem mim.
Nem ninguém.

Sou picadinho.
Sou restinho.
Requentado.
E sem exagero.
Porque
fingir é pouco.
E se não sobrou
nada
é porque comeram.
Além de tudo
sou comida.
Além de tudo fui
petisco.
Banquete e sobremesa.
Cafezinho com biscoito.
E foi embora também
a dignidade.
Foi o que tinha
sobrado do restinho.

Soprado
que nem farelo.
Farofa.
E pó.
Sem pá.
Nem vassoura.
Porque o chão é
de terra. E agora vejo
o que já vi.
Vejo com os olhos
de comida requentada
que sobraram.
Que todo grão
é semente. E que
todo segundo
é água.

Porque o que é
ruim fica.
E se ser
resíduo não for
bom, planta de mim vai
brotar.
E se não brotar, pó
de adubo me basta.
Porque pra eu
que não é
mim
o bastante é
o suficiente.
Porque tão pouco
me mataram. E
menos ainda jogaram
no poço.

Quebraram.
Racharam.
Trincaram
cada
caco.
Mas de
estilhaço em
estilhaço, quem
morre é
a galinha.

Voltar
a grudar. Não.
Porque remendo continua
rachado.
Se for
pra voltar, volto
sã.
Salva.
Inteira. Não
reconstituída.
E se não
for, que seja.
Porque todo grão
é semente. E
todo segundo
é água.

jeremy-michael-weiss_01_.JPG



se joga com a ana matronic
Tuesday August 14th 2007, 11:29 pm
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no, sir, no dancing today.