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Dora era um navio que boiava. Dora não navegava, apenas boiava ali. Vinte toneladas de aço inerte.
Renata era um carro sem pedais. Todos que entravam em Renata olhavam para os próprios pés, deorientados. Apenas ficavam lá. Inertertes. E depois saíam.
Marta era uma dentadura sem gengivas. Todos os velhos banguelas que punham Marta na boca desistiam de sorrir. O primeiro – e único – que tentou, sorriu um sorriso de caveira, cujos dentes enflieirados caíram. O primeiro e único velho deixou de sorrir sem querer. Seus lábios arreganhados, Inertes. Cuspiu.
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Já passava das quatro quando Magnólia decidiu fechar o livro e os olhos. Sonharia com tudo o que jamais viveu, para então esquecer-se de si mesma duas horas depois, na hora de despertar.
Tivera o primeiro filho aos vinte e um e hoje, aos cinquenta, coleciona dezenas de formas diferentes de suicídio na memória. Um para cada aniversário.
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Kiki adorava homens barbados
Cabelo chanel, all stars e uma bunda
maravilhosa
Ela poderia dominar o mundo
se quisesse
Mas prefere usar meias coloridas
ao invés.
